Gás Natural: quais os desafios do comprador brasileiro no atual cenário global?

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Ainda que os desafios do comprador brasileiro não sejam poucos, a cadeia de suprimentos vem mostrando que eles podem ser ainda maiores. Não podemos deixar de citar a pandemia iniciada em 2020, claro. Mas quando tudo parecia começar a se estabilizar, veio, então, a crise na Ucrânia. Foi nesse momento que o gás natural entrou em cena como uma das principais moedas de barganha do lado invasor.

Afinal, a Europa importa cerca de 40% do seu gás natural da Rússia. Países como Alemanha, Polônia e Hungria estão particularmente expostos, pois dependem, respectivamente, de 50%, 80% e 60% desse fornecedor. Sabendo da dependência, o governo russo começou a praticar novas políticas de pagamento. Os países considerados hostis, como os citados, só poderão negociar em rublos.

Mas o gás natural não tem ganhado destaque apenas na Europa. Por aqui, esse insumo também tem se mostrado mais um dos desafios do comprador brasileiro. Continue a leitura e entenda!

Por que o gás natural se tornou mais um dos desafios do comprador brasileiro?

Mesmo que o Brasil não compre gás natural da Rússia, também há efeitos por aqui. Em primeiro lugar, porque as ameaças de desabastecimento na Europa têm feito os países buscarem outro fornecedor. Nesse caso, os Estados Unidos que, em 2022, alcançaram o patamar de maior exportador de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.

Devido à grande demanda europeia, o preço no mercado doméstico estadunidense foi bastante pressionado e já registrou aumento de 200% se comparado ao período pré-pandemia. Acontece que o país norte-americano figura como o segundo maior vendedor de gás natural para o Brasil, atrás apenas da Bolívia.

E por falar na nossa vizinha, ela também tem sido responsável por aumentar os desafios dos compradores brasileiros que buscam por gás natural no mercado externo. Ainda neste ano, a Bolívia reduziu drasticamente a venda de gás natural ao Brasil. O motivo é um novo acordo com a Argentina que, para ser cumprido, demanda uma redução de cerca de 30% no que vem para o território nacional. Ainda, o governo boliviano pede uma revisão nos termos do contrato firmado com o Brasil.

Ou seja, o gás natural tem sido bastante disputado. E, ao que parece, os preços continuarão elevados. Isso porque a infraestrutura é outro ponto delicado, já que são necessários terminais de liquefação e regaseificação.

Biogás e biometano: as alternativas nacionais ao gás natural importado

O gás natural é um combustível fóssil. Mas, por ser mais limpo que o carvão e o petróleo, foi considerado por muito tempo o ponto-chave para a transição energética. Porém, durante o painel Brazil Climate Action Hub na COP27, a recém-lançada Coalizão Energia Limpa questionou o uso dessa matriz energética, alegando que ela não deveria ser protagonista no plano de transição.

Enquanto parques eólicos e a energia solar carecem de investimentos, outras alternativas têm sido buscadas. Entre as que mais se destacam estão o biogás e o biometano, ambos fontes limpas e renováveis. Dessa forma, além de reduzirem a dependência do gás natural, ainda estão de acordo com o ESG, tão exigido atualmente.

Leia também: ESG: o que é e como fazer o supply chain te ajudar a alcançá-lo.

Biogás

O biogás já é bastante difundido na indústria, especialmente nas usinas sucroalcooleiras. Ele é obtido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como o bagaço da cana-de-açúcar, por exemplo. O resultado é um gás composto, basicamente, de metano e CO₂ e que, por meio de geradores, converte em energia elétrica.

Biometano

O biometano, por sua vez, é o biogás purificado. Isso porque o biogás pode conter partículas sólidas quando derivado de aterros sanitários ou estações de tratamento de esgoto. Assim, precisa passar por um processo que as remova. Como resultado, tem-se um gás tão limpo que serve até como substituto do gás natural utilizado em veículos.

Inclusive, a Volkswagen anunciou neste ano que passará a substituir 65% do gás natural usado nas fábricas de Taubaté e São Bernardo do Campo, ambas no estado de São Paulo, por biometano. A medida será implementada já em 2023, com previsão de finalização em 2024. Com a troca, a montadora estima deixar de emitir 19 mil toneladas de CO₂ de origem fóssil por ano.

Neste artigo, você pôde ver alguns dos desafios do comprador brasileiro quando o assunto é gás natural. Continue atualizado sobre o cenário nacional e internacional e tudo aquilo que impacta a supply chain acompanhando nosso blog!

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