Visual Law: o que um comprador precisa saber a respeito?

visual law comprador

Mesmo que o comprador não contrate serviços jurídicos rotineiramente, é comum que tenha envolvimento com documentos e gestão de contratos. Mas acontece que, nem sempre, todos conseguem assimilar as informações ali dispostas. E é para auxiliar nesse entendimento que surgiu o Visual Law, o chamado “Direito Visual”.

Como o nome sugere, esse é um recurso para transformar as informações de um processo, por exemplo, em visuais. Infográficos, linhas do tempo, tabelas ou fluxogramas são algumas das opções utilizadas para facilitar ao leitor a compreensão do “juridiquês”. Mas e o que você, comprador, tem a ganhar com isso? É o que vamos mostrar neste artigo! Continue a leitura e veja como o Visual Law pode agregar ao seu dia a dia.

Afinal, o que é Visual Law e por que o comprador precisa conhecer esse conceito?

Antes de chegarmos no Visual Law, é preciso dar alguns passos para trás e entender, primeiro, o Design Thinking. Esta é uma abordagem que visa a solucionar problemas de maneira criativa. Para isso, organiza as ideias e cria um cenário propício para o surgimento de insights poderosos. É bastante utilizada para a criação de novos produtos ou serviços, pois tenta converter limitações em soluções.

Foi a partir dele que se desenvolveu, então, o Legal Thinking. Como você pode imaginar, ele busca soluções para o universo jurídico baseado nos preceitos da metodologia aplicada ao design. Esse conceito pode ser aplicado a todas as áreas de um escritório, desde o planejamento até a criação de novos serviços com base na experiência dos clientes.

Visto isso, já dá para imaginar que o Visual Law é uma consequência da chegada desses novos conceitos ao direito. Porém, aqui, os objetivos são mais específicos. Entre os principais estão tornar mais acessível a linguagem jurídica, desmistificando esse universo ao criar interfaces mais coloquiais e simplificadas. Ou seja, busca-se estabelecer uma comunicação eficiente, onde todos com acesso às informações consigam interpretá-las.

Para os compradores, lidar com escritórios e advogados adeptos dessa prática facilita muito o dia a dia. Afinal, muitos termos próprios do direito não fazem parte da rotina dos profissionais de suprimentos. Por isso, analisar os contratos acaba demandando um tempo valioso, que poderia ser otimizado se o documento estivesse visualmente compreensível.

O Visual Law tem sido juridicamente bem aceito?

A resposta para essa pergunta é simples: sim, o Visual Law é válido juridicamente. Mais que isso, a Resolução nº. 347/2020 do Conselho Nacional de Justiça, que trata da Política de Governança das Contratações Públicas dos órgãos do Poder Judiciário, estimula essa abordagem. Veja o que diz o parágrafo único contido no artigo 32: “Sempre que possível, dever-se-á utilizar recursos de Visual Law que tornem a linguagem de todos os documentos, dados estatísticos em ambiente digital, análise de dados e dos fluxos de trabalho mais claros, usuais e acessíveis”.

E já há quem esteja colocando esse modelo em prática. O Mercado Livre, por exemplo, reduziu 98,9% da judicialização de casos ocorridos na plataforma. Para isso, foi criada uma série de vídeos que explica de maneira simples os direitos e deveres dos compradores e incentivando os usuários a resolverem seus problemas sem a necessidade de processos.

O que o comprador pode aprender com o Visual Law?

Se a sua área de compras faz a contratação de serviços jurídicos, observar se o escritório é adepto do Visual Law é um bom ponto de partida. Isso porque mostra que os advogados envolvidos têm uma preocupação genuína com a clareza do objeto e com a experiência de quem terá contato com ele.

Mas não é apenas nessa relação compras-jurídico que o Visual Law se mostra uma excelente ferramenta. Afinal, o grande trunfo da abordagem é simplificar algo, até então, de difícil compreensão. Logo, isso pode ser aplicado pelo comprador com as demais áreas com as quais se relaciona. Um bom exemplo pode ser um infográfico que explique o é Lead Time aos requisitantes internos.

Até porque vale lembrar que a área de suprimentos também têm suas próprias terminologias e, assim como no direito, não são todos que estão familiarizados com ela. Então, o conceito de Visual Law também pode ser aplicado às necessidades do comprador na hora de fechar negócio ou assinar um acordo com um fornecedor. Prezar por contratos mais intuitivos, de fácil leitura e entendimento, certamente é bom para ambas as partes e diminui os riscos de não cumprimento das cláusulas.

Agora que você já sabe o que é o Visual Law, coloque-o em prática hoje mesmo! E já que você chegou até aqui, continue aprimorando seus conhecimentos. No artigo “Conheça 4 estratégias de negociação que vão impactar seus resultados”, você confere dicas de como chegar a acordos melhores com os seus fornecedores. Boa leitura!

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