Qual a importância do compliance em compras?

compliance em compras

A revolução das Compras 4.0 trouxe consigo uma série de novos termos. Entre eles, o compliance. Muitos até têm uma ideia do que ele significa, mas, na prática, desconhecem as ações que o promovem e como podem assegurá-lo nas ações. Existem, também, aqueles que ainda pensam que o conceito só é aplicável às grandes empresas, que realizam transações milionárias. Bom, isso não poderia estar mais longe da realidade! Hoje, ele é essencial para todas as companhias que negociam com fornecedores, independente do tamanho.

O compliance em compras tem o objetivo de garantir a conformidade das ações. O que isso significa? Que todas devem seguir um modelo de transparência, as leis e regulamentos, visando a lisura das negociações e a coibição de práticas corruptas. Como você pode imaginar, esse é um tema que se relaciona diretamente com a área de suprimentos.

Se você ainda tem dúvidas sobre o que é compliance em compras ou sua importância, continue a leitura! Neste artigo, responderemos a essas questões e traremos dados que comprovam a relevância deste tema.

O que é compliance em compras e por que ele é tão importante?

Antes de mais nada, é bom esclarecermos o conceito de compliance. O termo vem do inglês to comply, que significa cumprir. E a aplicação não poderia ser mais literal. Empresas que o instituem assumem o compromisso de estar em conformidade com regulamentos, leis e boas práticas que demonstrem a integridade de todas as práticas e políticas adotadas.

O compliance surgiu para coibir a corrupção e já era amplamente utilizado na gestão pública. Entretanto, o mundo corporativo absorveu esse conceito e, hoje, ele abrange questões trabalhistas, fiscais, concorrenciais e, também, de conduta. O objetivo principal é evitar, detectar e corrigir possíveis irregularidades. A área de compras, por tratar diretamente com negociações estratégicas, orçamentos e fornecedores, é bastante suscetível às tentativas de fraude.

Uma pesquisa da Price Waterhouse Coopers (PWC), realizada com 7.200 participantes de 123 países, revelou que metade das empresas respondentes já havia sofrido com alguma fraude ou crime financeiro. O levantamento, feito em 2018, mostrou um aumento de 36% em relação a 2016. No Brasil, o número passou de 12% para 50%. As irregularidades no setor de compras correspondem a 34% dos casos, perdendo apenas para o roubo de ativos (51%).

No estudo O Perfil Global do Fraudador, os resultados mostram que, em sua maioria, as irregularidades acontecem por influências externas. Quando o fraudador age sozinho, dentro da companhia, ele é descoberto rapidamente nas auditorias internas. A partir desses dados, já dá para entender a importância do compliance em compras, certo? Esse é um instrumento poderoso para garantir a idoneidade da empresa, evitar rumores de favorecimento que comprometem a imagem corporativa e assegurar a saúde financeira do negócio.

Como dar início ao compliance em compras?

Agora que você já entendeu como o compliance é importante para a área de compras, deve estar querendo saber como colocá-lo em prática o quanto antes. De fato, se sua empresa ainda não conta com nenhum regramento que defina as condutas, estruturá-lo é urgente. Infelizmente, não existe uma fórmula pronta e o motivo é bem simples: como cada organização tem sua realidade, é impossível definir um passo a passo universal. Entretanto, algumas ações são imprescindíveis em todas elas. Confira as principais a seguir.

Treinamento ― tanto interno quanto externo

A 4ª edição do levantamento Maturidade do Compliance no Brasil mostra que capacitar os públicos interno e externo é uma das grandes dificuldades, apontada por 79% dos respondentes. A pesquisa, que entrevistou 300 profissionais de 240 empresas diferentes, ainda revelou que os terceiros não receberam nenhum treinamento de compliance ou anticorrupção nos últimos 12 meses em 57% dos casos.

Visto os números anteriores sobre fraudes na área de compras, não é surpresa que o treinamento dos envolvidos nas negociações seja o primeiro passo para instituir o compliance. Esse documento deve ser encarado como uma política organizacional e, desse modo, não pode ficar restrita às paredes da empresa. Os fornecedores também devem ser envolvidos nessa mudança e estarem cientes das novas regras.

Institua uma visão estratégica na área de compras

O compliance em compras representa uma mudança significativa na cultura dessa área. Isso porque, o bom relacionamento entre comprador e fornecedor pode influenciar a tomada de decisão. Hoje, isso pode levantar rumores de favorecimento e abrir portas para a corrupção. Porém, não significa, claro, que não possa haver cordialidade entre as partes. Longe disso. Mas quer dizer que as aquisições precisam levar em conta apenas aspectos técnicos e que garantam o saving para a empresa.

Tenha um processo rastreável

Os processos de compras operacionais, além de colocar em xeque a produtividade da equipe, são difíceis ― para não dizer impossíveis ― de serem rastreados. A centralização das atividades em uma plataforma consegue reduzir esses riscos. Isso porque todas as movimentações ficam registradas e asseguram a análise posterior. Assim, fica muito mais simples de acompanhar as ações de compliance e rastrear incoerências.

Entretanto, um software não garante apenas a conformidade com as regras. Eles são importantes para fomentar uma conduta mais assertiva, onde as decisões são embasadas em dados, não em conceitos abstratos, como o bom relacionamento com os fornecedores. Leia mais sobre o assunto no Como a cultura de dados vem transformando o setor de compras. Boa leitura!

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